quarta-feira, 7 de abril de 2010

Vitor Santos em seu artigo "Reforma política não tem forças para sair do papel"


Reforma política não tem forças para sair do papel


Por Vitor SantosA reforma política no Brasil é utopia. A presença de Maquiavel na política brasileira é marcante e ao mesmo tempo inevitável, principalmente, com as suas artimanhas de leão e raposa, símbolos, respectivamente, da força e da astúcia, é a ação da política do príncipe, em que "os fins justificam os meios".

E aqui já começam a surgir as grandes questões: "se todos os meios são legítimos, quem justifica os fins? Qual é a legitimidade dos fins?". Vivemos um Estado Democrático de Direito. A Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 1988, em seu artigo 5º, consagrou como cláusula pétrea os direitos dos cidadãos, indicando o povo como fonte do poder e os objetivos e valores que deverão ser perseguidos pelo Estado.

O Estado brasileiro está organizado de maneira a ser instrumento a serviço da sociedade a fim de atingir os valores supremos, ou seja: a igualdade, a liberdade e a fraternidade, porém os seus direitos não podem ser exercidos, porque o cidadão comum não passa de um mero expectador do grande espetáculo político, que ocorre no palco chamado Brasília, a exemplo do que ocorria na antiga Roma, "pão e circo".

A eterna reforma política não tem forças para sair do papel. Haverá algumas mudanças que não impliquem na legislação a ponto de comprometer a atuação dos políticos. Mas as leis e as emendas são propostas e aprovadas pelos políticos, deputados e senadores que, muitas vezes, não tem suporte técnico jurídico, e que apenas estão defendendo interesses de oligarquias, cartéis ou interesses internacionais.

É urgente e necessária a reforma política no plano da soberania popular. A reforma política deverá transformar o povo brasileiro de mero expectador no jogo político em verdadeiro protagonista e, portanto, aprofundar os mecanismos da democracia direta e participativa. Mas de nada valerá se não houver a participação do Ministério Público, da Ordem dos Advogados do Brasil, especialmente a Seção São Paulo que tem se transformado no grande cenário das discussões nacionais, da Associação Comercial de São Paulo, da CNBB, do Lions, do Rotary, da Maçonaria, das Universidades, do Conseg, e principalmente de representantes do povo, Ong's, Sociedade amigos de bairro, enfim da sociedade civil como um todo.

A reforma política deverá repensar melhor o financiamento de campanhas com o dinheiro público, da reeleição de presidentes, governadores, senadores e, principalmente, dos seus suplentes que na vacância do cargo, assumem o mesmo sem ter recebido nenhum voto violando o princípio do sufrágio universal, que impõe o voto direto para escolha dos representantes do povo.

Na pauta da reforma política deverão ser discutidos o voto distrital puro ou misto, a obrigatoriedade do voto, a adoção do parlamentarismo, a realização de eleições para cargos eletivos federais e estaduais em uma mesma data, a forma de representação dos Estados e do Distrito na Câmara dos Deputados, que não respeita o princípio da proporcionalidade prevista na Constituição Federal.

Além disso, deve-se debater sobre a captação ilícita de sufrágios, aliciamento e compra de votos, a fidelidade partidária com o intuito de evitar o troca-troca de partidos, o foro privilegiado que beneficia ex-autoridades e réus em ações cíveis de improbidade, em ações criminais com o trancamento da ação penal, incentivando a impunidade, legendas de aluguel, fundo partidário, verticalização, prazo para filiação e desincompatibilização de cargos, venda de legenda na convenção partidária e a cláusula de barreira que é uma medida que visa reduzir o número de partidos.

Também é oportuno, rediscutir o funcionamento interno e a representação dos partidos no cenário brasileiro. Enquanto o sistema político brasileiro permanecer inalterado, vamos continuar a assistir a todos esses episódios envolvendo os políticos e acima de tudo, conviver com a imoralidade pública. Não podemos mais aceitar um sistema político arcaico e distanciado do povo.

A reforma precisa contemplar a reorganização do Estado brasileiro. "Para Maquiavel, o Estado era um fim em si mesmo. A suprema obrigação do governante é manter a ordem, o poder e a segurança do país que governava."

Notas de rodapé

1 - Reformar; verbo transitivo direito que significa: o ato ou efeito de restaurar, reorganizar, dar nova fórmula, reconstruir, retificar, emendar, reformar as Leis, a Constituição, reformar abusos.

2 - Política é a ciência do Governo dos povos, a arte de governar um Estado e regular suas relaçôes com outros; princípios políticos, maneira hábil de agir em assuntos particulares, a fim de obter o que se deseja, civilidade, cortesia, astúcia, artifício.

Referências Bibliográficas

1 - Pão e Circo, os bastidores da Política, Vitor Santos

2 - O Príncipe, Maquiavel, Editora Escala, Tradução de Lívio Xavier

Artigo do jornalista Vitor Santos publicado no Site Consultor jurídico
http://www.conjur.com.br/2007-abr-24/reforma_politica_nao_forcas_sair_papel

Vitor Santos desabafa através de crônica "Cansei de ver as trevas cobrindo Brasília"


CANSEI

Cansei de ver as trevas cobrindo Brasília
Nuves escuras pairando sobre o planalto central
um mar de lama da corrupção invadindo a capital federal;

Deus com certeza escondeu sua face para não ver o que lá acontecia
dizem que lá se faz pacto até com o diabo.

que tem político que vende sua consciência e também a sua alma, para ser dar bem;


cansei de acreditar em políticos que levam vantagens em tudo;

cansei de ver bandidos entrando na política para fugir da cadeia, e se beneficiar do Foro privilegiado; cansei de ver Senador da República se dando bem, renunciando ou não, sei lá como,
cansei de ouvir de Lula a célebre frase, “eu não sei de nada”; cansei de ver muita gente passando fome, enquanto a corte se esbanja;


cansei de ver pessoas perambulando pelas ruas em busca de emprego; enquanto muitos cargos são criados para contemplar os amigos do Lula; cansei de ver empreendedores e empresários, fechando suas empresas por serem honestos e não suportarem a carga tributária; cansei de ver o poder constituído cedendo ao crime organizado; cansei de ouvir a célebre frase de Rui Barbosa chegará um dia em que o homem terá vergonha de ser honesto.

cansei de ouvir dos meios de comunicação que muito dinheiro foi levado para o paraíso fiscal; cansei de ver famílias morando nas praças, debaixo de pontes e de viadutos, catando lixo para sobreviver;

cansei de sonhar com um país justo e solidário. cansei de acreditar na democracia que não passa de uma utopia; cansei de trabalhar para enriquecer cada mais os maus políticos; cansei de ver tantas injustiças, enquanto a Toga é usada por pessoas despreparadas;
cansei de ver lagrimas e tristezas no rosto de pessoas simples, humildes e trabalhadoras; cansei de presenciar nas ruas o sentimento de derrota de muitos brasileiros; cansei de assistir os espetáculos no grande palco chamado Brasília. cansei de acreditar que todos são iguais perante a Lei;

Cansei de ver Multinacionais invadindo o meu país; Cansei de ver banqueiros enriquecendo da noite para o dia; cansei de ver no meio da multidão, homens desempregados, pobres, doentes, famintos, sendo enganados;

cansei de ver o PÃO E CIRCO, como na antiga Roma; cansei de procurar por um político honesto como outrora o filósofo Diógenes cassou de procurar por um homem honesto nas ruas da Grécia com uma lanterna acesa na mão á luz do sol, talvez se encontra meia dúzia;

cansei de ver o Brasil, a minha Pátria amada ser ultrajada, humilhada e roubada...

cansei, cansei, cansei.

Vitor Santos